Filipa Vinha, partner da empresa Milestones, apresentou recentemente a sua tese de mestrado sobre esta temática, na Escola de Gestão do Porto, com aplicabilidade à região do Alentejo.
De acordo com o estudo realizado aos turistas que visitaram o Alentejo, foi possível concluir que este turista se enquadra no perfil do turista experience seeker, adepto do turismo de experiências. São turistas que procuram reunir várias experiências na mesma viagem; têm curiosidade em descobrir as tradições e a história do local; optam por viver experiências que sabem que perdurarão na sua memória para sempre e optam por realizar os seus próprios itinerários e fazer as suas reservas.
Sobre o comportamento de viagem daquele que viaja com a motivação do turismo de experiências "experience seeker" , a maioria afirma que já viajou entre 1 e 5 vezes para fazer turismo de experiências, e em Portugal, as regiões mais procuradas para a prática de turismo de experiências são o Alentejo, o Minho, o Algarve, o Douro e as Beiras, com uma média 5,22 dias dedicados às viagens de turismo de experiências, preferindo o alojamento em hotéis, seguindo-se o turismo em espaço rural.
Assumindo as conclusões deste estudo, percebe-se que existe um segmento de mercado que procura o destino numa perspectiva de turismo de experiências. As regiões de Portugal, detentoras de grande riqueza etnográfica, patrimonial e cultural, podem e devem servir de motores ao desenvolvimento de serviços complementares às estadas dos turistas, tendo por base o conceito experiencial e elementos de autenticidade. Por outra via, a preservação da autenticidade significa cuidar do património, costumes e tradições de cada região, dando-lhe um papel principal, preservando a identidade colectiva e travando o despovoamento interior de Portugal.
É crucial a existência de um plano de desenvolvimento de experiências autênticas, único em cada região, dando importância aos elementos distintivos com maior potencial e tomando em consideração o interesse da procura indicado neste estudo.
